24 de março de 2008

O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, 2007), de Andrew Dominik


Apesar de lhe faltar alguma emoção, este é um filme exemplar do ponto de vista estético. Uma quase sucessão de quadros pintados com mestria visual mas também com pertinência narrativa, ainda que o ritmo seja propositadamente lento. E a cereja no topo do bolo é a fabulosa interpretação de Casey Affleck.

Eu Sou a Lenda (I Am Legend, 2007), de Francis Lawrence


Imagens estupendas quando vemos uma paisagem despida de vida, apenas com o herói e o seu cão. Contudo, o filme resvala quando embarca num registo de “filme de zombies”. O balanço é, ainda assim, positivo.

4 de janeiro de 2008

Filmes mais esperados de 2008


1 - The Curious Case of Benjamin Button, David Fincher
2 - Sweeney Todd, Tim Burton
3 - Be Kind Rewind, Michel Gondry
4 - The Reader, Stephen Daldry
5 - In the Valley of Ellah, Paul Haggis
6 - Blindness, Fernando Meirelles
7 - I’m Not There, Todd Haynes
8 - The Kite Runner, Marc Forster
9 - The Happening, M. Night Shyamalan
10 - The Changeling, Clint Eastwood

P.S. Como é hábito, estes são apenas alguns dos que me despertam maior interesse: pelo realizador, pelos actores envolvidos e pela temática dos projectos. Continuo à espera de filmes que estavam em listas de anos anteriores como «Youth Without Youth», de Francis Ford Coppola, ou «There Will Be Blood», de Paul Thomas Anderson.

1 de janeiro de 2008

Os Melhores do Ano


1 – INLAND EMPIRE, de David Lynch
2 – À Prova de Morte, de Quentin Tarantino
3 – Promessas Perigosas, de David Cronenberg
4 – O Labirinto do Fauno, de Guillermo del Toro
5 – Ratatui, de Brad Bird
6 – Apocalypto, de Mel Gibson
7 – Beowulf (3D), de Robert Zemeckis
8 – Shrek, o terceiro, de Chris Miller e Ramon Hui
9 – Planeta Terror, de Robert Rodriguez
10 – As Vidas dos Outros, de Florian Henckel Von Donnersmarck

Num ano em que apenas vi 21 filmes das centenas que estrearam comercialmente em Portugal, o génio de David Lynch deu-me a melhor experiência cinematográfica de 2007. Grande destaque tiveram os filmes de animação – há nada menos do que 3 neste top –, com a particularidade de um deles, «Beowulf», revitalizar o 3D com consequências imprevisíveis. Houve muitos filmes que gostaria de ter visto, mas estes 10 valeram a pena.

Gangster americano (2007), de Ridley Scott


Embora possua uma carreira desigual, Ridley Scott é sempre de acompanhar. Desta vez, tinha a vantagem adicional de estar a dirigir dois óptimos actores: Denzel Washington (talvez o melhor actor negro da história) e Russel Crowe. O resultado é bom. Ancorado nas interpretações dos dois actores referidos (especialmente Washington), o filme envereda pela análise do mundo do crime: a ascensão de um mafioso, a investigação criminal, os meandros da corrupção, os pequenos e os grandes dramas de polícias e criminosos. O caso fundador é verídico e houve matéria cinematográfica a dar-lhe substância. Quando assim é, damos por bem empregue o nosso tempo.

A História de uma abelha (2007), de Steve Hickner e Simon J. Smith


Mesmo sem atingir a perfeição de outros filmes da Dreamworks, este é um filme divertido e muito recomendável. A ideia é bem curiosa e a animação é bem conseguida. A versão visionada foi a portuguesa (descendência oblige), mas cada vez mais o trabalho de dobragem nacional é competente e procura mais-valias. Nuno Markl foi uma boa aposta para a voz de Barry, ainda para mais com o que representou para ele dobrar Seinfeld…

30 de dezembro de 2007

Promessas Perigosas (2007), de David Cronenberg


Que David Cronenberg é um dos maiores cineastas vivos nunca é demais referir. Na sua última obra, o realizador canadiano foi a Londres filmar o (sub)mundo da máfia russa a actuar na cidade do nevoeiro. Longe da sua marca fantástica – um pouco como acontecera no anterior «Uma História de Violência» –, Cronenberg encena a possibilidade de uma família: através da construção de um puzzle que converge para o mais belo plano do filme, quando o improvável casal se beija depois de ter salvo o filho que adoptou algo involuntariamente. Viggo Mortensen tem aqui a melhor interpretação da sua carreira, naquele que é um dos melhores filmes do ano.

Beowulf 3D (2007), de Robert Zemeckis


Mais um marco na evolução tecnológica do cinema, este filme regista uma nova geração dos filmes a 3 dimensões. A espectacularidade de muitas cenas, que exploram cabalmente as potencialidades desta tecnologia, quase faz esquecer os outros ingredientes que constituem um filme (argumento, interpretações…). Ainda assim, o filme resiste e resulta num todo amplamente recomendável. Robert Zemeckis fê-lo outra vez: depois de filmes inovadores como «Quem Tramou Roger Rabbit?» ou «Forrest Gump», continua na linha da frente no alargamento das fronteiras daquilo que os filmes nos conseguem mostrar. Neste caso, o espectáculo vale a pena, e abre-nos o apetite para o que ainda está para vir.

17 de dezembro de 2007

Ao Anoitecer (Evening, 2007), de Lajos Koltai


Um elenco de luxo para um interessante filme romântico, que vale por alguns bons momentos quase teatrais (as cenas entre Vanessa Redgrave e Meryl Streep, assim como quase todas com Toni Colette, uma das melhores actrizes da actualidade). A realização é apenas ilustrativa, mas vale pelas actrizes, com talento bastante para disfarçar todas as outras insuficiências.

13 de dezembro de 2007

A Estranha em Mim (The Brave One, 2007), de Neil Jordan


Jodie Foster é daquelas actrizes cujas capacidades artísticas podem sustentar um filme. Depois de muito tempo ausente, é um prazer revê-la. A sua força no ecrã remonta a «Taxi Driver» e nunca esmoreceu. O filme, embora dirigido por um normalmente óptimo Neil Jordan, é basicamente o veículo de uma grande actriz, já que o retrato que pretende fazer da insegurança urbana nem sempre é conseguido, roçando um certo sensacionalismo vigilante dos filmes de Charles Bronson e afins. Um destaque para a química interessante entre Foster e Terrence Howard.