15 de janeiro de 2010

9 - «Dancer in the Dark» (2000), de Lars Von Trier


A mistura do melodrama mais pesado com o musical mais inesperado resulta num hino ao cinema e numa sinfonia da alma. O amor, a fé e o sacrifício conjugam-se numa metafísica paradoxalmente contrastante com a dimensão demasiado humana e imperfeita da protagonista. A fabulosa Björk/Selma é, sem dúvida, a personagem que aglutina todo o filme, não deixando espaço para mais ninguém. De tal forma, que a sua estreia na representação lhe deixou marcas profundas. O hiperbólico calvário de Selma permite que as suas imaginadas coreografias e as deliciosas músicas resultem para o espectador como ouvir o som do mar num deserto. São interlúdios deslocados que traduzem musical e pictoricamente a grande alma da protagonista. O aparente equilíbrio precário entre a cinzenta realidade, a caminhar inapelavelmente para a escuridão, e a garrida festa do seu mundo interior, contribui para a magnífica materialização cinematográfica que, no fundo, é também uma bela metáfora da sétima arte: ficamos cegos para a realidade para passarmos a ver bem melhor os sonhos. O final é um dos mais incómodos de que há memória. Comovente, memorável, arrebatador.

14 de janeiro de 2010

10 - «Babel» (2006), de Alejandro González Iñarritu


Filmada em três continentes e em quatro línguas, «Babel» é uma obra-prima que surge como uma metáfora do mundo contemporâneo, explorando o seu dramatismo e a sua complexidade. Um mergulho no âmago da família, da intimidade, da comunicabilidade ou falta dela, do peso variável de cada vida, dos acasos e dos destinos. «Babel» atinge-nos fundo e fica a ecoar em nós como todos os grandes filmes.

Melhores filmes da década


Aproveitando a década que se encerra agora (sem discutir se deve incluir o ano de 2010 ou não - eu considero apenas os anos de 2000 a 2009) e outras votações semelhantes que têm surgido, vou de seguida apresentar aqueles que são para mim os 10 melhores filmes da primeira década do século XXI. Vou apresentá-los por ordem crescente de importância, do 10.º até ao 1.º lugar, em posts separados - um para cada filme. Evidentemente que estas votações não têm nenhum valor "científico" - nem isso é possível na arte - e é mais uma forma lúdica de retrospectivar grandes experiências de cinema. Boa viagem!

9 de janeiro de 2010

Filmes mais esperados de 2010



1 - Inception, de Christopher Nolan
2 - Anticristo, de Lars Von Trier
3 - Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton
4 - Biutiful, de Alejandro Gonzalez Iñarritu
5 - O Laço Branco, de Michael Haneke
6 - The Imaginarium of Doctor Parnassus, de Terry Gilliam
7 - The Social Network, de David Fincher
8 - Nove, de Rob Marshall
9 - Invictus, de Clint Eastwood
10 - Black Swan, de Darren Aronofsky

Para além destes, continuo a aguardar com ansiedade o último de Scorsese («Shutter Island»), que era precisamente o mais esperado de 2009 (mas que não estreou ainda - prevê-se para final de Fevereiro), nem por acaso com o mesmo DiCaprio de «Inception»...
E ainda não vi dois da lista do ano anterior: «Tetro» e «Sinédoque, Nova Iorque».

3 de janeiro de 2010

Melhores Filmes de 2009


E como é hábito nesta altura do ano, aqui fica a lista dos melhores filmes do ano. O melhor é mesmo também um dos melhores da década (um top que em breve postarei aqui). Os filmes de Eastwood foram também brilhantes. E é importante não esquecer «Avatar», uma experiência verdadeiramente espectacular!

1 - O Estranho Caso de Benjamin Button, de David Fincher
2 - A Troca, de Clint Eastwood
3 - Gran Torino, de Clint Eastwood
4 - Avatar, de James Cameron
5 - O Leitor, de Stephen Daldry
6 - Inimigos Públicos, de Michael Mann
7 - Sacanas Sem Lei, de Quentin Tarantino
8 - O Casamento de Rachel, de Jonathan Demme
9 - Up - Altamente!, de Pete Docter e Bob Peterson
10 - O Wrestler, de Darren Aronofsky

31 de dezembro de 2009

Sacanas Sem Lei (Inglourious Basterds, 2009), de Quentin Tarantino


Mais um excelente filme de um dos melhores autores do cinema americano. Uma sarcástica visão da Segunda Guerra Mundial com excelentes sequências dialogadas (onde a tensão se instala com fascínio) entrecortadas com as explosões de violência que são apanágio do autor. Christoph Waltz tem um papel de antologia como inteligentíssimo oficial nazi capaz de farejar onde mais ninguém alcança. Recheado de cinefilia, com planos excepcionais e, acima de tudo, capaz de divertir de forma superior, assim são estes Sacanas Sem Lei.

23 de dezembro de 2009

Avatar (2009), de James Cameron


O filme mais esperado do ano, sem dúvida. Por tudo o que James Cameron vinha prometendo e também pelos grandes filmes («Aliens», «Terminator 2», «Titanic») que já fizera.

A verdade é que a discussão se polarizou entre a excelência dos efeitos visuais e de toda a concepção cenográfica (e, claro, a inédita utilização do 3D) e a limitação do argumento. A minha opinião é de que se confirma a fabulosa experiência visual que se vinha a antecipar (é mesmo um marco na história do cinema) e o argumento, embora podendo ser mais arrojado e, digamos assim, mais adulto, não defrauda assim tanto as expectativas quanto se tem afirmado. É uma bela história de amor interracial e pacifismo, onde sem dúvida que os apelos ambientalistas ecoam na nossa (da Terra) actualidade. Não acho que Cameron tenha ambicionado fazer o melhor filme de todos os tempos, logo, é normal que tenha privilegiado o espectáculo e a imersão do espectador naquele mundo nunca visto. Mas será isso pouco? Não me parece. Desde «O Senhor dos Anéis» que não passara por uma experiência cinematográfica tão escapista, no que isso tem de melhor. Ver o filme é como ir ao mesmo tempo à feira popular, ao jardim zoológico, a um parque tecnológico e... ao cinema, ver um filme de índios e cowboys extraterrestres do futuro. É delirante, é alucinogénico, é comovente, é um grande espectáculo. Não é uma obra-prima, mas é absolutamente a não perder, pois enquanto experiência é inolvidável.

18 de dezembro de 2009

Actividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007), de Oren Peli


Grande surpresa da temporada, esta é uma espécie de mistura de «O Exorcista» com «O Projecto Blair Witch». Não sendo propriamente original, é verdade que consegue perturbar nalguns momentos, quando nos conseguimos embrenhar no filme e pensar que aquilo poderia estar mesmo a acontecer. Os nossos medos mais irracionais passam precisamente pelo clima "sugestivo" que o filme evoca: barulhos estranhos, acontecimentos para os quais não temos explicação...

A Vida é um Jogo (The Hustler, de Robert Rossen, 1961)


... E agora que o Daniel já está um homenzinho...

Venho falar de um grande filme que vi em DVD. É um clássico de 1961 que imbrica snooker e vida como poucos filmes se viram. Paul Newman está em grande, George C. Scott também, Jackie Gleason idem, e a realização é excelente. Um dos melhores filmes de sempre sobre o jogo.

6 de setembro de 2009

Daniel (30-08-2009)


Uma pausa nas fitas... para dar lugar à vida. Um autêntico Paul Newman ou, para as gerações mais novas, um Brad Pitt (lá estou eu). Uma vida inteira para preencher, com o pai por perto para o que der e vier... O mundo é já aqui. Bem-vindo sejas!