2 de agosto de 2009

Deixa-me entrar (Let the right one in, 2008), de Tomas Alfredson


Uma das boas surpresas do ano. Uma fantasia infantil que é ao mesmo tempo um filme de vampiros muito "sui generis". Faz lembrar um pouco os primeiros filmes de Cronenberg, como «Os Parasitas da Morte» ou «A Ninhada», mas o toque europeu (o filme é sueco) é bem evidente. Filme sobre a solidão, as dores do crescimento e a descoberta do amor, esta é mesmo uma bela surpresa (e a sequência final é alucinante). Podia ter sido realizado a meias por Bergman e John Carpenter...

22 de julho de 2009

Elegia (Elegy, 2008), de Isabel Coixet


Adaptando um livro de Philip Roth, «The Dying Animal», este é um filme denso que conta com excelentes prestações de Ben Kingsley e Penélope Cruz. O que mais impressiona é a reflexão sobre o envelhecimento (e a beleza de Penélope). Muito embora a realizadora espanhola não revele ter unhas para um filme de maior alcance, reduzindo-o muitas vezes a uma dimensão teatral, o filme vale bem a pena para pensarmos e repensarmos a condição humana, os efeitos do tempo e os sempre insondáveis caminhos do amor.

11 de julho de 2009

Anjos e Demónios (Angels & Demons, 2009), de Ron Howard


Não é que não se acompanhe com interesse, até porque Roma tem arquitectura que chegue para deslumbrar (e o Vaticano também não é nada feio), mas a falta de talento de Ron Howard e as inverosimilhanças várias põem em causa a vibração que se pretendia num thriller supostamente electrizante. Não tendo lido o livro de Dan Brown, o filme fez-me ter alguma pena por Tom Hanks não ter nada para fazer. Ah, e fiquei ainda com mais vontade para ir à capital de Itália...

O Wrestler (The Wrestler, 2008), de Darren Aronofsky


Um filme que é quase um documentário sobre um lutador de wrestling e as agruras da sua meia-idade. Rourke é excelente, também porque as diferenças são poucas entre a sua vida e a da personagem que encarna. Duro, algo cru e muito realista. Um filme bastante diferente dos outros do seu realizador (do fabuloso "Requiem for a Dream" ao muito interessante "The Fountain"), mas altamente recomendável. Marisa Tomei também merece destaque.

7 de junho de 2009

Gran Torino (2008), de Clint Eastwood

Mais um filme fabuloso de um dos grandes realizadores norte-americanos da actualidade. É extraordinária a forma como o ex-Dirty Harry gere os planos, constrói os diálogos e sublima a nobreza da sua mensagem. Com um sentido de humor que atinge momentos hilariantes (excelente a tradução e legendagem), este é um filme que atinge em cheio o coração do espectador. Uma soberba reflexão sobre o envelhecimento, a amizade e a violência, que arrebata quando terminamos a viagem. E, claro, a personagem interpretada pelo realizador é antológica. Bravo!

10 de maio de 2009

Vem e Vê (1985), de Elem Klimov


Um dos filmes mais impressionantes sobre a brutalidade da guerra e, especialmente, da besta nazi. Passado na Bielorrússia, em 1943, vi-o agora em DVD e fiquei marcado indelevelmente. Uma obra de uma força imensa sobre a rápida perda da inocência, e envelhecimento galopante, de um adolescente que se confronta com as atrocidades das tropas nazis na sua aldeia e região circundante. Terrivelmente memorável.

5 de abril de 2009

A Lista de Aristides


Podia ter sido este o título do filme de Spielberg, se na altura em que o grande realizador norte-americano procurava uma história de salvamento de judeus do inconcebível extermínio nazi tivesse encontrado informação suficiente sobre o acto extraordinário de Aristides de Sousa Mendes em 1940. Passados 55 anos sobre a morte de um verdadeiro herói, não só nacional, mas de toda a humanidade, vale a pena lembrar que, apesar de ter morrido na miséria económica e anímica, Aristides salvou mais do que 30 000 pessoas - salvou milhões, pois os descendentes desses milhares que foram salvos são a prova viva de que quem salva uma pessoa, salva o mundo inteiro.

4 de abril de 2009

O Leitor (The Reader, 2008), de Stephen Daldry


Uma belíssima homenagem à literatura, um filme que é um mergulho nas profundezas do(s) ser(es) humano(s). Duas partes: a primeira uma solar deambulação erótica, a segunda uma sombria incursão nos fantasmas da História e das personagens centrais. Grandes interpretações e uma direcção de Stephen Daldry que (após os fantásticos «Billy Elliot» e «As Horas») continua em altíssimo nível. Duas sequências de antologia: Kate Winslet a aprender a ler na prisão e Ralph Fiennes a procurar a redenção da sua paixão nazi junto da judia Lena Olin. Imprescindível.

22 de março de 2009

Quem Quer Ser Bilionário? (Slumdog Millionaire, 2008), de Danny Boyle


O vencedor do Oscar de Melhor Filme deste ano é um filme simpático, mas que não consegue arrebatar. Ponto forte: a estrutura que combina as perguntas e respostas do concurso que o protagonista acaba por vencer e as explicações para essas respostas, que estão pura e simplesmente na experiência de vida do jovem indiano. Está lá o toque exótico e os condimentos para o tornar um filme popular, sim, mas uma vez mais a cerimónia dos Oscar não consagrou o grande cinema. Está bem que não é um "feel-good movie", mas vale mais a pena ver «Trainspotting».

1 de março de 2009

Dúvida (Doubt, 2008), de John Patrick Shanley


Um bom filme sobre a dúvida que se pode instalar nas nossas vidas, roendo-nos por dentro. Mas é essencialmente um filme de actores. Magníficas interpretações de Meryl Streep (é chover no molhado dizer que é uma das melhores actrizes do mundo), Philip Seymour Hoffman, Amy Adams e Viola Davis. A matriz teatral é, contudo, limitadora do resultado final. Repito: um bom filme essencialmente de (grandes) actores. Mereceria talvez o prémio de Melhor Elenco do Ano.