1 de janeiro de 2009

Austrália (2008), de Baz Luhrmann


Apesar de Nicole Kidman, este «Austrália» não consegue ser o «E Tudo o Vento Levou» do século XXI. Não por que Baz Luhrmann não tenha tentado, mas falta-lhe mais verdade e mais emoção. O papel de Hugh Jackman parece ser mais o de "bibelot" para encantar o público feminino (com o penteado e o bronze sempre em ordem) e o sopro épico nem sempre é conseguido. À semelhança do que aconteceu nos seus últimos filmes, Baz Luhrmann consegue demonstrar ousadia e divertir o espectador, mas falha sempre na parte do empolgamento. É pois uma espécie de mistura entre «Titanic» (no seu melhor) e «Pearl Harbour» (no pior).

14 de dezembro de 2008

Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness, 2008), de Fernando Meirelles


Não tendo lido o livro de José Saramago que lhe está na origem, posso contudo confirmar tratar-se de uma história cheia de atributos interessantes, como sempre acontece quando falamos de histórias sobre a condição humana. Apesar de alguns desequilíbrios (Bernal como cabecilha dos "maus", Mark Ruffalo que não chega aos calcanhares da excelente Julianne Moore...) e inverosimilhanças, esta é uma forte metáfora sobre a humanidade. A fotografia é um trabalho prodigioso e não faltam as cenas duríssimas, como a das mulheres obrigadas a trocar o corpo por comida. Um filme que vale a pena "ver" para reparar como somos.

9 de dezembro de 2008

O Duplo Lado da Lei (Righteous Kill, 2008), de Jon Avnet


Que pena ver dois dos maiores actores norte-americanos de sempre - sim, Robert de Niro e Al Pacino - juntos num banalíssimo thriller. E que saudades da outra vez em que estiveram juntos na tela - no excelente "Heat - Cidade Sob Pressão", de Michael Mann... São daqueles actores que sustentam as fragilidades dos filmes em que participam, mas... convém não exagerar.

23 de novembro de 2008

A Turma (Entre les Murs, 2008), de Laurent Cantet


Ser professor é uma das mais nobres e difíceis profissões da actualidade. Roçando o documentário, este excelente filme demonstra porquê. Entre o desespero ocasional e os momentos reconfortantes, o professor François vai tentando ensinar e fazer evoluir aquele grupo problemático. É um liceu de uma área socialmente pouco favorecida em França, mas podia ser em Portugal ou noutro país do mundo. Os problemas do ensino - área centralíssima de qualquer sociedade que se pretende civilizada - encontram-se aqui esplanados sem demagogias e com algumas sequências verdadeiramente exemplares. Uma obra obrigatória para todos os debates sobre as escolas, verdadeiros campos de batalha (literal e metafórico) das sociedades modernas.

Paris (2008), de Cédric Klapisch


Ah, Paris!...

A cidade das cidades. Um filme que segue um grupo de personagens cujo percurso mais ou menos acidentado se plasma na cidade das luzes. Uma história de cruzamentos de histórias com óptimos actores como Binoche ou Duris, passada na mais bela cidade do mundo, é uma proposta nada desprezável. Não é extraordinário, mas vale bem a pena.

26 de outubro de 2008

Ausência

Pois é, os tempos andam difíceis... Muito trabalho. Pouco tempo livre, ainda menos para o blog, já se vê...
Deixo apenas as indicações em estrelinhas dos últimos filmes que vi no cinema, à falta de tempo para posts ainda que telegráficos:

Haverá Sangue (There Will Be Blood), de Paul Thomas Anderson - ****
Este País Não é Para Velhos (No Country For Old Men), de Joel e Ethan Coen - ****
Uma Segunda Juventude (Youth Without Youth), de Francis Ford Coppola - ***
O Sabor do Amor (My Blueberry Nights), de Wong Kar-Wai - **
O Segredo de um Cuscuz (La Graine et le Mulet), de Abdelatif Kechiche - ****
O Acontecimento (The Happening), de M. Night Shyamalan - ***
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and the Kigdom of the Crystal Skull), de Steven Spielberg - ***
O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le Papillon), de Julian Schnabel - ****
O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight), de Christopher Nolan - ***
Tropa de Elite, de José Padilha - ***
O Panda do Kung-Fu (Kung-Fu Panda), de Mark Osborne e John Stevenson - ****
Mamma Mia!, de Phyllida Lloyd - ***

1 de maio de 2008

Vista Pela Última Vez (Gone Baby Gone, 2007), de Ben Affleck


Uma excelente surpresa e uma estreia auspiciosa de Ben Affleck na realização. Após os problemas das semelhanças com o «caso Maddie» – que são evidentes no início, mas rapidamente se ultrapassam – o filme enfim estreou e não teve o sucesso e valorização que merecia. É um drama policial com um argumento muito bom, especialmente na parte final, quando a escolha moral que se coloca às personagens é a mesma com que o espectador se debate. Complexo e, repito, com um grande final.

13 de abril de 2008

Sweeney Todd (2007), de Tim Burton


Visualmente fabuloso como já não é surpresa num filme de Tim Burton, este «Sweeney Todd» tem a originalidade de colocar o fantástico Johnny Depp a cantar (e ele fá-lo bem). Musical negríssimo, tem uma história deliciosamente macabra, actores inexcedíveis e no aspecto técnico é superior deluxe. A não perder, claro.

O Lado selvagem (Into the Wild, 2007), de Sean Penn


Um excelente filme, uma bela surpresa. Penso que haverá em todos os nós o tal “lado selvagem” de que o filme fala: particularmente numa sociedade em que o conforto e as pseudonecessidades se transformaram em valores, por vezes questionámo-nos se a vida não será maior livre de tudo que nos prenda e assente na simplicidade da relação com a natureza. Se relativamente aos bens materiais isso parece evidente, já o será menos se falarmos nas “prisões afectivas”. Aí a conclusão é bem mais difícil porque o ser humano também se realiza com a partilha emocional. O protagonista do filme empreendeu um caminho difícil e solitário, mas partilhou-o (inadvertidamente, é claro) com o espectador. É esse o nosso prazer maior. Admirável banda sonora de Eddie Veder e a melhor realização de Sean Penn até ao momento.

Expiação (Atonement, 2007), de Joe Wright


Um filme que na sua segunda parte corre depressa demais em relação ao que tem para contar. A banda sonora é bonita e há algumas cenas conseguidas – como a da praia, quase uma pintura épica –, mas é pouco para filme com tamanhas pretensões e tanto prestígio em alguns meios. Uma história de amor a que falta a emoção que nem a tragédia do desenlace consegue redimir.