1 de janeiro de 2008

Os Melhores do Ano


1 – INLAND EMPIRE, de David Lynch
2 – À Prova de Morte, de Quentin Tarantino
3 – Promessas Perigosas, de David Cronenberg
4 – O Labirinto do Fauno, de Guillermo del Toro
5 – Ratatui, de Brad Bird
6 – Apocalypto, de Mel Gibson
7 – Beowulf (3D), de Robert Zemeckis
8 – Shrek, o terceiro, de Chris Miller e Ramon Hui
9 – Planeta Terror, de Robert Rodriguez
10 – As Vidas dos Outros, de Florian Henckel Von Donnersmarck

Num ano em que apenas vi 21 filmes das centenas que estrearam comercialmente em Portugal, o génio de David Lynch deu-me a melhor experiência cinematográfica de 2007. Grande destaque tiveram os filmes de animação – há nada menos do que 3 neste top –, com a particularidade de um deles, «Beowulf», revitalizar o 3D com consequências imprevisíveis. Houve muitos filmes que gostaria de ter visto, mas estes 10 valeram a pena.

Gangster americano (2007), de Ridley Scott


Embora possua uma carreira desigual, Ridley Scott é sempre de acompanhar. Desta vez, tinha a vantagem adicional de estar a dirigir dois óptimos actores: Denzel Washington (talvez o melhor actor negro da história) e Russel Crowe. O resultado é bom. Ancorado nas interpretações dos dois actores referidos (especialmente Washington), o filme envereda pela análise do mundo do crime: a ascensão de um mafioso, a investigação criminal, os meandros da corrupção, os pequenos e os grandes dramas de polícias e criminosos. O caso fundador é verídico e houve matéria cinematográfica a dar-lhe substância. Quando assim é, damos por bem empregue o nosso tempo.

A História de uma abelha (2007), de Steve Hickner e Simon J. Smith


Mesmo sem atingir a perfeição de outros filmes da Dreamworks, este é um filme divertido e muito recomendável. A ideia é bem curiosa e a animação é bem conseguida. A versão visionada foi a portuguesa (descendência oblige), mas cada vez mais o trabalho de dobragem nacional é competente e procura mais-valias. Nuno Markl foi uma boa aposta para a voz de Barry, ainda para mais com o que representou para ele dobrar Seinfeld…

30 de dezembro de 2007

Promessas Perigosas (2007), de David Cronenberg


Que David Cronenberg é um dos maiores cineastas vivos nunca é demais referir. Na sua última obra, o realizador canadiano foi a Londres filmar o (sub)mundo da máfia russa a actuar na cidade do nevoeiro. Longe da sua marca fantástica – um pouco como acontecera no anterior «Uma História de Violência» –, Cronenberg encena a possibilidade de uma família: através da construção de um puzzle que converge para o mais belo plano do filme, quando o improvável casal se beija depois de ter salvo o filho que adoptou algo involuntariamente. Viggo Mortensen tem aqui a melhor interpretação da sua carreira, naquele que é um dos melhores filmes do ano.

Beowulf 3D (2007), de Robert Zemeckis


Mais um marco na evolução tecnológica do cinema, este filme regista uma nova geração dos filmes a 3 dimensões. A espectacularidade de muitas cenas, que exploram cabalmente as potencialidades desta tecnologia, quase faz esquecer os outros ingredientes que constituem um filme (argumento, interpretações…). Ainda assim, o filme resiste e resulta num todo amplamente recomendável. Robert Zemeckis fê-lo outra vez: depois de filmes inovadores como «Quem Tramou Roger Rabbit?» ou «Forrest Gump», continua na linha da frente no alargamento das fronteiras daquilo que os filmes nos conseguem mostrar. Neste caso, o espectáculo vale a pena, e abre-nos o apetite para o que ainda está para vir.

17 de dezembro de 2007

Ao Anoitecer (Evening, 2007), de Lajos Koltai


Um elenco de luxo para um interessante filme romântico, que vale por alguns bons momentos quase teatrais (as cenas entre Vanessa Redgrave e Meryl Streep, assim como quase todas com Toni Colette, uma das melhores actrizes da actualidade). A realização é apenas ilustrativa, mas vale pelas actrizes, com talento bastante para disfarçar todas as outras insuficiências.

13 de dezembro de 2007

A Estranha em Mim (The Brave One, 2007), de Neil Jordan


Jodie Foster é daquelas actrizes cujas capacidades artísticas podem sustentar um filme. Depois de muito tempo ausente, é um prazer revê-la. A sua força no ecrã remonta a «Taxi Driver» e nunca esmoreceu. O filme, embora dirigido por um normalmente óptimo Neil Jordan, é basicamente o veículo de uma grande actriz, já que o retrato que pretende fazer da insegurança urbana nem sempre é conseguido, roçando um certo sensacionalismo vigilante dos filmes de Charles Bronson e afins. Um destaque para a química interessante entre Foster e Terrence Howard.

11 de dezembro de 2007

Planeta Terror (Planet Terror, 2007), de Robert Rodriguez


Com «À Prova de Morte», de Quentin Tarantino, forma o díptico «Grindhouse», que nos EUA foi exibido numa única sessão. Embora um pouco inferior ao filme de Tarantino, «Planeta Terror» é diversão garantida: “pastiche” dos filmes de zombies, recheado de piscadelas de olho cinéfilas e momentos irresistíveis a envolver mutilações, humor negro e acção imparável.

29 de novembro de 2007

A Vida Não é um Sonho (Requiem for a Dream, 2000), de Darren Aronofsky


Ironicamente, só há poucos dias vi (em DVD) pela primeira vez o filme homónimo deste blogue. E que filme!
Arrasador, «Requiem for a Dream» sintetiza o pesadelo em que a vida se pode transformar, particularmente se ela se basear numa adicção – qualquer que ela seja: a droga, a televisão, as dietas… Filme definitivo sobre a dependência, e também sobre a solidão, realizado em autêntico estado de graça, «A Vida Não é um Sonho» inquieta-nos, agride-nos, obriga-nos a achar bela a fealdade do mundo, ou de algumas coisas do mundo. Tem uma banda sonora sublime e uma daquelas interpretações (Ellen Burstyn) que valem uma carreira. Não o quero rever tão cedo, mas fica guardado na minha “cérebroteca” como um dos grandes filmes do século XXI.

19 de novembro de 2007

Stardust – O Mistério da Estrela Cadente (Stardust, 2007), de Matthew Vaughn


Um filme bem interessante para todos os públicos. Uma fábula com charme que mantém a coerência até ao fim e proporciona alguns momentos divertidos e boas interpretações. Só Michelle Pfeiffer já faz valer o bilhete.